Em outubro do ano passado eu resolvi participar do concurso de jovens talentos do Festival de la BD d'Angoulême, o Jeunes Talents 2025.
Criei um quadrinho de três páginas e paguei salgados reais para enviar as páginas em tamanho A3 pro festival, conforme pedia o regulamento. História sem ápice: não passei na seleção. 😅
Mas pelo menos tirei duas coisas boas dessa história:
Precisava de uma referência fotográfica específica dos ângulos dos fios da cama de gato pra desenhar na HQ, mas a falta de uma dupla pra fazer a brincadeira comigo me obrigou a aprender (depois de várias tentativas) a jogar cama de gato sozinha.
Agora tenho um pequeno quadrinho rejeitado que posso compartilhar por aqui: Cama de gato, ou em francês Berceau du Chat. 🙂
Ultimamente, tenho assistido muito Maison Ikkoku (めぞん一刻) — um anime dos anos 80 adaptado do mangá da Rumiko Takahashi — com o objetivo falho de treinar a escuta do japonês. Eu já tinha lido o mangá anos atrás (ainda não publicado no Brasil! Alô editoraaaaaaasss!!!), mas tenho amado reviver os romances e pequenos dramas da vida dos moradores da Maison Ikkoku na versão animada.
Rumiko Takahashi é um dos meus tópicos de conversa favoritos e uma das mangakas que mais me influenciam. Em 2020 eu passei 2h falando sobre o trabalho dela (e poderia ter falado muito mais!) num episódio do podcast Otaminas. A Rumiko Takahashi é conhecida aqui no Brasil pelos mangás mais cômicos e de ação, uma coisa mais shounen, como em Inuyasha e em Ranma 1/2. Porém, ela domina vários outros gêneros como o horror e o slice of life, sem poderzinhos ou elementos mágicos, que é o caso de Maison Ikkoku.
A história é um romance/comédia/drama onde acompanhamos a vida dos moradores festeiros da pensão Maison Ikkoku, em Tóquio nos anos 1980. Yusaku Godai, um dos inquilinos, é um vestibulando fracassado que tem suas tentativas de estudos infernizadas pelas festas e bebedeiras dos demais inquilinos. Um dia a jovem Kyoko Otonasahi se muda para a pensão para assumir o cargo de nova gerente e, claro, Godai se apaixona a primeira vista. Porém, logo se revela que, apesar de ser bem jovem, Kyoko é uma viúva recente que ainda está lidando com o luto e entendendo como levar sua vida a partir dali.
Acho que essa é uma das poucas histórias da Rumiko em que a passagem do tempo é perceptível como na vida real. As estações mudam, as datas festivas se repetem, os personagens envelhecem e algumas situações se tornam cíclicas, mostrando o amadurecimento dos personagens com o passar dos anos.
Além da história ser super gostosinha, a trilha sonora também é uma delícia. (Felizmente tem disponível no Spotify). Mas o que tem enchido meus olhos mesmo é o visual da animação. Tem alguma coisa que me fascina muito nos animes dos anos 80, as cenas mais lentas, os planos abertos, os detalhes, a paleta de cores... É tudo muito inspirador.
Por isso, quando acabou o Carnaval e eu me dei conta de que já era 8 de março, eu fui correndo fazer uma ilustração pro Dia Internacional da Mulher, bebendo muito desse visual de anime antigo.

Obrigada por ler e acompanhar meu trabalho.
Até a próxima! :)












Eu achei seu quadrinho lindo e fiquei curiosa pra ver o anime. Onde você tá assistindo?
Que quadrinho lindooo 💖 e a ilustração nem se fala!